Dominação
Uma peça sem casas é uma peça já ganha
Dominação é a arte de tirar todas as casas para onde uma peça poderia ir, de modo que ela fique presa no meio de um tabuleiro vazio. É a forma mais comum de um final se decidir materialmente, e as vítimas habituais são o cavalo, que anda devagar, e o bispo, que uma única peça bem colocada consegue desligar do jogo.
Jogue esse final (grátis)Por que o cavalo é a vítima clássica
Um cavalo no centro toca oito casas. Na borda, quatro. No canto, duas. A mobilidade dele desaba conforme se aproxima da borda, e, ao contrário do bispo, ele não escapa em um lance: cada salto é curto e ele jamais consegue perder um tempo. Esses três fatos são toda a teoria de dominar um cavalo.
É por isso que torre contra cavalo, empate de manual quando o cavalo está ao lado do rei, vira vitória quando ele está separado. Rei e torre juntos tocam o cavalo para a borda: a torre tira fileiras inteiras à distância enquanto o rei se aproxima. A única coisa que não se deve fazer é caçar só com a torre, pois isso apenas ensina ao cavalo o caminho de casa.
O nosso exercício “Torre contra cavalo: o cavalo perdido” é a versão pura. O defensor tem um único mandamento (manter o cavalo perto do rei), e se ele já o quebrou, você tem um método de caça.
Dominar um bispo, e dominar com um
O bispo é peça de longo alcance, então se domina de outro jeito: não tirando casas uma a uma, e sim cortando as diagonais dele. Bloqueie a diagonal longa de que ele precisa e o bispo vira espectador sem jamais ser atacado.
O caso inverso é mais bonito e é o jeito mais rápido de sentir o que é dominação. No nosso exercício “Cortando o cavalo com o bispo”, um cavalo em h5 tem exatamente quatro lances: f4, g3, f6 e g7. Um único lance de bispo, Be5, cobre os quatro de uma vez. O cavalo não foi capturado nem atacado: simplesmente foi desligado, e o resto da posição se joga com uma peça a mais. Só esse lance ganha.
O mesmo mecanismo em outra forma é “Bispo bom contra cavalo mau”: o bispo ocupa a diagonal que escolta um peão e guarda a casa de entrada da outra ala, enquanto o cavalo, que precisa de quatro tempos para atravessar o tabuleiro, não consegue servir os dois flancos.
Os limites: quando a dominação falha
Nem toda peça pode ser dominada, e saber parar vale tanto quanto saber caçar. Torre contra bispo sem peões é empate, porque o rei defensor alcança o canto de cor oposta à do próprio bispo, e ali o bispo sempre tem a interposição e o truque do afogamento. A torre domina qualquer casa do tabuleiro, menos as de que precisa.
Um cavalo colado ao seu rei é igualmente indomável: os dois se defendem e a torre pode circular cinquenta lances sem carregar uma ameaça real. A coesão é toda a defesa.
A regra prática vale nos dois sentidos. Como atacante, procure a peça que se afastou: a separação é a pré-condição da dominação. Como defensor, mantenha as peças de mãos dadas e corra para o canto que combina com o seu bispo, e a posição que parece perdida é uma fortaleza.
Perguntas
O que é dominação no xadrez?
Dominação é restringir uma peça adversária de modo que todas as casas para onde ela poderia ir estejam cobertas, prendendo-a em campo aberto. Costuma ser aplicada a cavalos, cuja mobilidade desaba perto da borda, e em geral ganha a peça ou a reduz a espectadora.
Por que cavalos são mais fáceis de dominar que bispos?
Porque o cavalo anda distâncias curtas, não consegue perder um tempo, e o número de lances dele cai de oito no centro para quatro na borda e duas no canto. Um único bispo ou torre cobre várias saídas dele de uma vez, algo impossível contra uma peça de longo alcance em campo aberto.
Quando torre contra cavalo é vitória?
Quando o cavalo está separado do seu rei. Cavalo ao lado do rei é fortaleza e empate de manual. Assim que ele se afasta, rei e torre conseguem tocá-lo para a borda, onde as casas de fuga acabam. Nunca cace só com a torre: leve o rei e fique fora das casas onde um xeque de cavalo daria um garfo.
Dá para dominar um bispo?
Dá, mas não tirando casas uma a uma. Domina-se um bispo cortando as diagonais de que ele precisa: tecnicamente livre, praticamente inútil. A falha clássica da dominação é torre contra bispo sem peões, que é empate: o rei defensor corre para o canto que não combina com a cor do bispo.
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Torre contra cavalo: o cavalo encalhado
As Brancas jogam e ganham
Cortando o cavalo com o bispo
As Brancas jogam e ganham
Bispo bom contra cavalo ruim
As Brancas jogam e ganham
Torre contra bispo: o canto seguro
As Pretas jogam e empatam
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